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PCs mais caros, compras adiadas: remessas caem 21% no terceiro trimestre

Se você abriu um orçamento de computador e pensou “deixa para depois”, essa reação combina com o momento do mercado. Segundo dados preliminares da Counterpoint, as remessas globais de PCs caíram 21% no terceiro trimestre de 2026, chegando a 57 milhões de unidades. Memória e outros componentes mais caros estão entre os fatores apontados pela consultoria.

Eu sei que ninguém precisa de um relatório para sentir quando a compra pesa. Mas os dados ajudam a entender a dimensão do problema. Só não vamos misturar remessa de fabricante com cada venda de peça numa loja brasileira, porque são medidas diferentes.

O que a Counterpoint encontrou?

No levantamento divulgado em 22 de outubro, a Counterpoint também registra recuo de 13,8% em relação ao trimestre anterior. A demanda de consumidores permaneceu fraca, enquanto a renovação de computadores nas empresas ofereceu algum apoio, insuficiente para compensar a queda geral.

A comparação com 2025 também pesa. Segundo a consultoria, compras antecipadas ligadas ao fim do suporte do Windows 10 e ajustes de estoque associados a tarifas haviam fortalecido aquele período. Portanto, o recuo de 2026 não pode ser atribuído a uma única causa.

A previsão da Counterpoint é de queda anual de 27% no quarto trimestre. Essa parte é projeção, não resultado já fechado. Eu faço questão de separar as duas coisas, porque previsão de mercado não vem com certificado de que o futuro assinou embaixo.

Outra pesquisa aponta a mesma direção

A Omdia estimou recuo de 21,2% e 58,1 milhões de unidades para desktops, notebooks e estações de trabalho no mesmo trimestre. O total não é idêntico ao da Counterpoint, então não vou misturar as duas bases numa tabela como se fossem uma pesquisa só.

A Omdia aponta aumento dos custos de memória e armazenamento, dificuldades de fornecimento de outros componentes e ajustes de produção e estoque. Sua previsão para o quarto trimestre também é de contração, mas com percentual diferente: 24%. As duas análises concordam na direção, sem concordar em cada número.

Menos PCs enviados não significa promoção automática

A primeira reação pode ser: “se está vendendo menos, agora o preço cai”. Eu também gostaria que fosse simples assim. Só que demanda menor e custo maior podem acontecer ao mesmo tempo. Uma empresa pode reduzir a quantidade produzida em vez de colocar tudo em liquidação.

Para o consumidor, isso significa acompanhar produtos e ofertas concretas. Uma notícia global não informa o estoque de uma loja, a taxa de câmbio usada no lote ou o preço final daquele notebook. É um contexto para entender o mercado, não uma tabela de preços do Brasil.

Também não dá para converter a queda de 21% em “21% menos PCs gamers montados”. O levantamento acompanha remessas de fabricantes. Comprar processador, placa-mãe e GPU separados é outra movimentação, que exigiria dados próprios para quantificar.

RAM, SSD e a conta do computador inteiro

Na hora de montar um PC, é fácil concentrar a atenção no processador e na placa de vídeo. Mas o orçamento só fecha quando entram memória, armazenamento, fonte, gabinete e o restante. Um componente que parecia secundário pode mudar a viabilidade da configuração.

Aqui no M7 já discutimos a expansão planejada da CXMT e o mercado de memória. É uma pauta relacionada, mas com outro foco: capacidade futura de produção. Ela não representa desconto imediato nas peças disponíveis hoje.

Também expliquei como a demanda por IA pode pressionar o mercado de GPUs. De novo, não existe um culpado único para cada etiqueta. A cadeia tem várias etapas, e o nosso bolso recebe o resultado de todas elas.

O que eu faria com essa informação?

Eu definiria primeiro a necessidade da troca. O computador deixou de atender ao trabalho ou a vontade de trocar veio de um lançamento? Depois compararia o custo total de manter, atualizar uma parte ou substituir o conjunto. É uma decisão mais útil que comprar por medo de uma alta indefinida.

Se a compra pode esperar, acompanhe o mesmo modelo por um período e registre o preço final. Se não pode, escolha pelo uso e pelo orçamento, sem contar com uma promoção que ainda não existe. A notícia mostra um mercado pressionado. Não obriga ninguém a correr para o carrinho nem a desistir do PC novo para sempre.

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